Relatos da FLAP 2005
por Geraldo Vidigal
O importante é dar continuidade ao projeto de manter um – ou dois, ou dez – fórum de discussões entre aqueles que procuram inovar na arte brasileira, um debate entre as principais correntes da estética atual, um saber o que o outro está lendo, assistindo, pensando, porque o certo é que, parafraseando Lewis Carroll, se caminharmos o suficiente a algum lugar temos de chegar.
A FLAP foi organizada com dois objetivos básicos. Em primeiro lugar, tentar mostrar para o público que existe gente produzindo coisas novas no Brasil, que nossa literatura não terminou na década de 50 nem morreu com João Cabral, que existem poetas e prosadores buscando novas formas, uma nova linguagem, uma literatura que reflita a vida no Brasil do século XXI. Em segundo lugar, tentar reunir essas pessoas que pensam e produzem literatura atual no país para debater sobre o assunto, os rumos atuais da literatura e, por que não?, tentar criar um núcleo de onde se possa pensar projetos que aumentem a presença da literatura na sociedade.
Tendo em mente que esses eram os objetivos, a organização considera que para uma primeira edição, feita um pouco em caráter experimental, o sucesso foi total. Com o baixíssimo orçamento com o qual trabalhamos, conseguimos trazer discussões de altíssimo nível e atrair uma atenção ponderável – dos escritores de São Paulo que contatamos, apenas dois ou três não puderam vir. Nossa meta é no futuro trabalhar com mais organização e tentar ampliar o debate, trazendo quem mora em outros Estados. Mas pensando no quanto gastamos e na organização e adesão totalmente voluntária, podemos dizer que foi um sucesso absoluto.
Infelizmente tivemos que dizer a uma série de interessados que as vagas estavam preenchidas. O Espaço dos Satyros é um lugar excelente pela localização e o pessoal deles foi realmente fantástico conosco. Mas a procura foi realmente muito grande, mesmo com a divulgação meio ‘marginal’ que fizemos, principalmente por blogs e e-mails para grupos de interesse, e tivemos que recusar aproximadamente 80% (!) das pré-inscrições. Quanto a quem ‘conseguiu’ passar pela peneira das possibilidades que o local oferecia, avaliando pelas perguntas feitas, atraímos principalmente escritores amadores e estudantes de arte. Mas não ficamos fazendo ficha cadastral de ninguém, afinal não pretendemos enviar propaganda pelo correio para os participantes.
O principal problema foi justamente arrumarmos um local, porque não queríamos fazer na São Francisco ou na FFLCH [Faculdades de Direito e de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, de onde os organizadores da Academia de Letras e da Revista Metamorfose se conhecem]. Queríamos mostrar nossa disposição de sair da Universidade, estávamos procurando um teatro mesmo, só que trabalhando com o nosso orçamento zero. Até fecharmos com os Satyros houve um certo nervosismo, fora ficar rodando a região e conversando com todos os responsáveis pelos lugares.
De resto, a organização foi feita totalmente em caráter voluntário e sem maiores complicações. No dia, tudo deu surpreendentemente certo, e o Espaço ficou lotado – mas nem todos os inscritos puderam participar.
A autorização da Prefeitura para a realização da feirinha acabou saindo só de última hora, o que desmotivou bastante gente de ir se apresentar. A maioria das barracas, no fim, era de editoras ou vendedores independentes de livros.
Sobre o teor das palestras, não faremos nenhum comentário, já que quem viu, viu, da próxima vez pensaremos em como retransmitir tudo isso.
Por fim, sempre nos perguntam, mas a idéia é fazer alguma coisa do tipo todo ano, nos empolgamos bastante com a facilidade que existe no meio, só precisa de gente catalisando pra acontecer um negócio assim; nem sabemos se vai continuar chamando FLAP ou se vamos mudar pra uma outra onomatopéia qualquer, como sugeriu o Mamede Jarouche no encerramento. Então não tem nem sentido manter um ’sistema FLAP’ funcionando permanentemente. O importante é dar continuidade ao projeto de manter um – ou dois, ou dez – fórum de discussões entre aqueles que procuram inovar na arte brasileira, um debate entre as principais correntes da estética atual, um saber o que o outro está lendo, assistindo, pensando, porque o certo é que, parafraseando Lewis Carroll, se caminharmos o suficiente a algum lugar temos de chegar.
PROGRAMAÇÃO: FLAP 2005
(atualizada em 14.07.05)
Data: 16 de julho, sábado
Horário: das 9:30 às 18:30h
Local: Espaço dos Satyros
Pça. Roosevelt, 214, São Paulo. Tel.: (11) 3258.6345
9:30h – Inscrições
10h – Abertura: A Rebeldia e seus Discursos
Mesa: Antonio Vicente Pietroforte
Professor Doutor, FFLCH-USP
Joca Teron
Escritor
Glauco Mattoso
Poeta
11:30h – A Narrativa Contemporânea
Mediador: Bruno Zeni
Andrea Saad Hossne
Professora Doutora, FFLCH-USP
Marcelo Mirisola
Escritor
Priscila Figueiredo
Crítica e poeta
13h – 14h – Intervalo
14h – Poesia Contemporânea e suas Paisagens
Mediador: Dirceu Villa
Manuel da Costa Pinto
Crítico e editor
Eduardo Sterzi
Crítico. Editor da Revista Cacto
Tarso de Melo
Poeta. Editor da Revista Cacto
Heitor Ferraz
Poeta e editor
16h – Poesia Contemporânea e Sociedade
Mediador: Paulo Ferraz
Maria Claudia Galera
Especialista em Literatura Comparada
Ademir Assunção
Poeta. Editor da Revista Coyote e organizador do Movimento Literatura Urgente
Frederico Barbosa
Poeta
Cláudio Daniel
Poeta. Editor da Revista Zunái
17:30h – Encerramento
Mamede Jarouche
Tradutor das Mil e Uma Noites. Professor Doutor, FFLCH-USP
18h – Lançamento da Revista Phoenix n° 19
Local: Bar ao lado
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